Arquivo da categoria: Reflexões

Algumas reflexões sobre o mercado brasileiro de quadrinhos

Em março de 2019, fui convidado para conceder uma entrevista sobre o mercado brasileiro de quadrinhos. Por motivos que desconheço, a entrevista não chegou a ver a luz do dia, mas acho que as informações aqui contidas podem ter alguma utilidade para artistas de todos os níveis, mas especialmente os iniciantes. Então, eu decidi publicá-la. Seguem os meus dois centavos sobre o nosso atual cenário.

– Como você avalia o momento das HQs no país?

Este é, de longe, o melhor momento dos quadrinhos no Brasil. Tanto em relação ao consumo quanto, o que é mais impressionante, em relação à produção de HQs nacionais. Nunca se leu tanta HQ como hoje em dia. E, embora a maior parte do consumo ainda seja de quadrinhos considerados ‘mainstream‘ – mangás, super-heróis da Marvel e da DC, além da Turma da Mônica – a produção brasileira está no seu auge.

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Meus votos de casamento

Juntos a gente consegue tudo, né linda? Até ser elegante no clichê. Por exemplo, o de parafrasear letras de músicas. Se eu disser que ninguém sabe, mas você tem um sorriso secreto, que só eu conheço, isso é tão verdade que deixa de ser lugar-comum. Uma das maravilhas de conviver com você é saber que isso de rotina não existe: não tem um dia como o outro. Não tem dia clichê. Essa jornada não é só uma aventura, é um show de rock. A Rock Show.

E aí, quando fico pensando sobre amor e sobre como as pessoas definem esse sentimento desde o início dos tempos, eu sinceramente não consigo, nunca consegui, compreender sentido naquilo. Nesse amor das novelas, dos filmes e dos contos.

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Como pedi minha namorada em casamento

Eu sempre disse que, se um dia fosse pedir a Laís em casamento, só haveria uma pessoa para ouvir o pedido: ela.

Contudo, acabei preparando uma ocasião de cinema (literalmente), com plateia e tudo.

No último dia 24 de Julho, um domingo friozinho de inverno (mas, ainda assim, com um solzinho agradável), convidei minha namorada para ir ao cinema. O que ela não imaginava é que o filme seria sobre nós (palavras dela).

Ao final do trailer acima, teve início o filme que rodará até o fim de nossas vidas.  Continue lendo Como pedi minha namorada em casamento

O que há de ruim em Batman Vs. Superman [contém spoilers!]

Antes mesmo de dar “bom dia” para a minha amada, já acordei no último dia 24 de março dizendo: “É hoje que vamos assistir ao Batman Vs Superman“! Faziam exatos 31 anos, 9 meses e 15 dias que eu esperava por um momento como esse: o dia em que veria, na mesma tela gigante, os meus dois super-heróis favoritos de todos os tempos. Meus e de uma galera: gerações que, desde o final da década de 30, tem motivos de sobra para sonhar com os deuses que caminham entre nós. Aqueles que foram responsáveis pela gênese de tudo o que amamos hoje em relação ao universo dos quadrinhos. Afinal, mesmo quem nunca leu uma página sequer sabe muito bem quem são Batman e Super-Homem (isso mesmo! Super-HOMEM, porque eu comecei a ler HQ no início da década de 90).

Apesar de ter assistido a alguns trailers (quem me conhece sabe que prefiro evitar isso sempre que possível mas, em tempos de internet, nem sempre rola), consegui chegar ao cinema com uma certa inocência. Eu não estava contaminado pelos trailers ou pelas críticas (positivas ou negativas) precedentes, nem pelos comentários de quem havia assistido na pré-estreia. Na bagagem da cachola, apenas as memórias de anos de HQ e o meu sentimento infante de quem acorda na manhã de natal e está prestes a receber o seu aguardado presente. Sim, a expectativa – mais até do que a ansiedade – era enorme.

Vamos aos fatos: esse filme começou em 2013, com o final do Homem de Aço do Zack Snyder. Embora o primeiro reboot pós-Novos 52 do Super no cinema não tenha sido uma unanimidade foi, sem sombra de dúvidas, um excelente filme. Tem suas falhas, é verdade, mas não suficientes para reduzir seu brilhantismo. Ali, um novo universo Kryptoniano nos foi apresentado; e uma mitologia, recontada. O novo Super-Homem era o mais humano em décadas, com poderes muito menos impressionantes do que a apedrejada empreitada de 2005 do Brian Singer (que também tem lá seus méritos, vai). E é exatamente isso, essa nova humanidade, passível de falhas e imperfeições, que dá o tom inicial que propicia que um herói, a priori, ‘apenas’ humano – o Batman – possa enfrentá-lo com alguma condição de fazer frente ao Homem de Aço. A destruição resultante da batalha entre o Super e a trupe do General Zod no primeiro filme pavimentam o terreno para que nasça a desconfiança em relação ao Homem de Aço, o que nos leva ao blockbuster da vez. Voltemos para 24 de março de 2016.

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Oficina de Ilustração Digital – Ampliar 2015

Oficina de ilustração digital ministrada no Uni-BH durante o evento Ampliar.

Falo sobre técnicas diversas de composição e iluminação, materiais e preparação de arquivo.

A oficina termina com um exercício de colorização digital que dispensa o uso de uma mesa digitalizadora.

Você pode ver aqui a apresentação da oficina ou fazer o download.

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Nunca desistam dos seus sonhos

No segundo semestre de 2013, me foi dada a maior honra que poderia receber.

Uma turma de bravos e nobres escolheu a mim como seu paraninfo, apesar de ter tantas opções tão superiores e tão mais óbvias. E, por isso, sou infinitamente grato.

Abaixo segue o discurso proferido na noite da última sexta-feira, 07 de Fevereiro, em homenagem aos formandos do segundo semestre de 2013 do curso de Publicidade e Propaganda da Universidade Fumec. A versão final ficou um pouco mais curta do que eu pretendia. Esta, que aqui publico, é a “versão estendida”, sem cortes.

Senhoras e senhores; companheiros da mesa; professores; meus professores; formandos,

boa noite.

Dirijo-me a vocês hoje como colega, por duas razões. Primeiro, porque hoje vocês são reconhecidos pela sociedade como publicitários. Uma magnífica conquista, primeira de muitas, que deve ser celebrada. E, segundo, principalmente porque, sentados nesta mesa, estão os meus professores. Os nossos professores. Se estou aqui hoje, recebendo tal honraria num momento tão prematuro da minha trajetória, é graças aos ensinamentos e à convivência de todos eles. Ciente da honra, mas também da responsabilidade que isso representa, convido-os a fazer uma breve reflexão sobre publicidade e propaganda nos dias de hoje, e o que significa ser publicitário. Continue lendo Nunca desistam dos seus sonhos

Mais nuances, por favor

Engraçado. Tenho pensado constantemente nisso nos últimos tempos.

Quando cursei uma disciplina doProfessor Dr. Rodrigo Vivas, no fim de 2012, fui apresentado a um texto de Yve-Alain Bois, que releio agora para preparar uma aula de uma disciplina nova. Trata-se de uma introdução à análise da pintura que debate algumas tentações e chantagens que o ramo científico, por vezes, apresenta. Continue lendo Mais nuances, por favor

Samurai X: A melhor adaptação de quadrinhos de todos os tempos da última semana

Adaptado do mangá de Nobuhiro Watsuki, Samurai X é simplesmente maravilhoso. Uma das melhores adaptações que vi nos últimos anos, o filme consegue não apenas captar a essência da história como, também, agradar a quem não conhece nem nunca ouviu falar em Kenshin Himura – o lendário Battousai.

O protagonista é um espadachim que foi um assassino a serviço dos monarquistas com o papel de executar pessoas chave no governo Tokugawa para que fosse possível realizar a restauração. Depois de inúmeras mortes, Battousai decide viver para espiar seus crimes e jura nunca mais matar outra vez, passando a brandir uma espada de lâmina invertida – a sakabatou. O problema de lutar sem matar é que os inimigos não estão nem aí para isso e vão para cima dele com tudo!

Para quem conhece o mangá, o filme é uma justa homenagem, com belíssimas cenas, todos os personagens favoritos e as frases que tornaram esta obra tão célebre. Para quem nunca leu o mangá, Samurai X é um excelente filme de ação e artes marciais, com coreografias belíssimas e uma história muito envolvente.

Coleção de Mangá Samurai X - Danilo Aroeira
Minha coleção de Samurai X em Mangá, incluindo o Kenshin Kaden e a edição especial do Yahiko – só para fazer inveja na galera

Se você é preguiçoso não tem tempo de ler os 56 volumes do mangá publicado no Brasil, como eu li, pode assistir o filme tranquilo.

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