Três semanas

Desde a retomada das aulas (ainda remotas) no início de agosto eu tenho desenhado cada vez menos. Após emendar um projeto no outro – “As aventuras de Letícia” e depois “Mandinga”, tenho um Samurai Boy para fechar e quase não consigo colocar a mão.

Tenho ideias para cursos, aulas, vídeos, outros projetos, novas HQs, em novos formatos. Mas o dia-a-dia de professor me impede de levá-los a termo neste momento.

Eu sei que é temporário. Mas tenho sentido a mão literalmente coçar. Me pego solfejando traços no ar (ou na mente) com uma frequência enorme. Fico imaginando como resolver graficamente essa ou aquela forma, cor, linha, representação. E, por mais que seja frustrante não poder pegar em papel e lápis (ou caneta e tela) para colocar em prática, é também excitante tomar consciência desses processos mentais.

Três semanas de, no máximo, alguns retoques em uma página ou outra (mais para satisfazer minha abstinência do que por necessidade técnica da composição). E de criar cenas inteiras na cabeça de uma HQ que jamais verá a luz do dia.

Três semanas de mão coçando, sentindo a falta da caneta como se fosse um membro fantasma que se foi, amputado pelo calendário letivo.

E olhe que eu amo dar aulas.

Mas são três semanas sem um dia sequer com três horas consecutivas disponíveis para rabiscar.

Três semanas de saudade.

Saudade de desenhar.

Destaques do mercado brasileiro de HQs, por Dan Arrows

Algumas reflexões sobre o mercado brasileiro de quadrinhos

Em março de 2019, fui convidado para conceder uma entrevista sobre o mercado brasileiro de quadrinhos. Por motivos que desconheço, a entrevista não chegou a ver a luz do dia, mas acho que as informações aqui contidas podem ter alguma utilidade para artistas de todos os níveis, mas especialmente os iniciantes. Então, eu decidi publicá-la. Seguem os meus dois centavos sobre o nosso atual cenário.

– Como você avalia o momento das HQs no país?

Este é, de longe, o melhor momento dos quadrinhos no Brasil. Tanto em relação ao consumo quanto, o que é mais impressionante, em relação à produção de HQs nacionais. Nunca se leu tanta HQ como hoje em dia. E, embora a maior parte do consumo ainda seja de quadrinhos considerados ‘mainstream‘ – mangás, super-heróis da Marvel e da DC, além da Turma da Mônica – a produção brasileira está no seu auge.

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Como pedi minha namorada em casamento

Eu sempre disse que, se um dia fosse pedir a Laís em casamento, só haveria uma pessoa para ouvir o pedido: ela.

Contudo, acabei preparando uma ocasião de cinema (literalmente), com plateia e tudo.

No último dia 24 de Julho, um domingo friozinho de inverno (mas, ainda assim, com um solzinho agradável), convidei minha namorada para ir ao cinema. O que ela não imaginava é que o filme seria sobre nós (palavras dela).

Ao final do trailer acima, teve início o filme que rodará até o fim de nossas vidas.  Continue reading “Como pedi minha namorada em casamento”

O que há de ruim em Batman Vs. Superman [contém spoilers!]

Antes mesmo de dar “bom dia” para a minha amada, já acordei no último dia 24 de março dizendo: “É …